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PAIXÃO, REVOLUÇÃO E MORTE

 

Vida

Nasceu em 19 de julho (7 de julho no calendário juliano) de 1893 na Geórgia, então Império Russo. Bagdadi, sua cidade natal, chamou-se Maiakovski durante o período soviético. Após a morte do pai, em 1906, a família ficou na miséria e mudou-se para Moscovo.

Em 1908, filiou-se ao partido bolchevique. Participou da elaboração do primeiro manifesto futurista russo e tornou-se uma das mais representativas figuras do movimento.

Detido em duas ocasiões, foi solto por falta de provas, mas em 1909-1910 passou onze meses na prisão, quando aproveita para leitura de todas as obras clássicas.

Em 1910, ingressa na Escola de Belas Artes, onde se encontrou com David Burliuk, que foi o grande incentivador da sua iniciação poética. Daí são expulsos quatro anos depois, quando já se encontram ligados ao movimento futurista. Procurando difundir as suas concepções artísticas, realizaram viagens pela Rússia.

Após a revolução de 1917, Maiakovski colaborou com o governo na criação de lemas revolucionários. Depois de sustentar que “não há conteúdo revolucionário sem forma revolucionária”.
 Começa a ser tachado pelos burocratas do Partido de “incompreensível para as massas”.

Fundou em 1923 a revista LEF (de Liévi Front, Frente de Esquerda), que reuniu a “esquerda das artes”, isto é, os escritores e artistas que pretendiam aliar a forma revolucionária a um conteúdo de renovação social.

Nos últimos três anos de vida, fez inúmeras viagens pelo país, levou seus versos a mais de 180 mil pessoas, aparecendo diante de vastos auditórios para os quais lia os seus versos. Viajou também pela Europa Ocidental, México e Estados Unidos. Entrou frequentemente em choque com os “burocratas’’ e com os que pretendiam reduzir a poesia a fórmulas simplistas. em conferências e recitais por várias cidades.

O poeta escreveu várias peças teatrais, sempre ligadas a sua produção lírica, e também roteiros para cinema. Empregou ainda, como meios de expressão, o desenho, a caricatura e o cartaz e, no início da consolidação do novo Estado, exaltou campanhas sanitárias, fez publicidade de produtos diversos, etc. Suas inovações estéticas, todavia, trouxeram-lhe um conflito crescente com as autoridades stalinistas, e Maiakovski, depois de escrever um de seus melhores poemas, Vo Ves Golos (A plenos pulmões), suicidou-se em Moscovo, em 14 de Abril de 1930.

Suicidou-se talvez pela falta de perspectivas que via para a sua arte, talvez pelos problemas de saúde, estava com a garganta abalada e percebia que não poderia recitar mais, talvez pelos relacionamentos amorosos infelizes.

 

 

Obra

Poeta russo. Um dos principais representantes da vanguarda futurista. Um dos principais integrantes do movimento futurista em seu país, Maiakovski distinguiu-se como o mais ousado renovador da poesia russa no século XX.

Sua obra, profundamente revolucionária na forma e nas ideias que defendeu, apresenta-se coerente, original, veemente, una. A linguagem que emprega é a do dia a dia, sem nenhuma consideração pela divisão em temas e vocábulos “poéticos” e “não-poéticos”, a par de uma constante elaboração, que vai desde a invenção vocabular até o inusitado arrojo das rimas.

Aparentemente retórico e essencialmente prático, foi dos primeiros poetas a usar um vocabulário destituído de aura estética, urbano, cotidiano, com o qual soube, no entanto, expressar-se em metáforas brilhantes e de meticuloso tratamento artesanal.

Ao mesmo tempo, o gosto pelo desmesurado, o hiperbólico, alia-se em sua poesia à dimensão crítico-satírica. Criou longos poemas e quadras e dísticos que se gravam na memória; ensaios sobre a arte poética e artigos curtos de jornal; peças de forte sentido social e rápidas cenas sobre assuntos do dia; roteiros de cinema arrojados e fantasiosos e breves filmes de propaganda.

Era o expoente de uma geração em busca de uma estética que captasse a profundidade daquelas inquietações russas.

Aquando da elaboração do primeiro manifesto futurista russo, escreve nesta fase os poemas “Oblako v shtanaj” (1915; “A nuvem de calças”) e “Fleitapozvonotchnik” (1916; “A flauta de vértebras”) de alta substância lírica

Nunca aceitou a imposição de escrever o vazio óbvio como os poetas proletários insistiam. Dizia “vangloriam-se alguns do fato de a nossa leitura ser florida como um jardim”. Além das poesias e roteiros dos filmes escreveu as peças teatrais Eu, Vladimir Maiakovski (1913) e o Mistério Bufo (1918 e 1920) dirigida por Meyerhold.

Funda a revista LEF, publicada no período de 1823-1925, editada com Osip Brik, a qual reunia em suas páginas a vanguarda mais significativa da época, incluindo os construtivistas Alexander Rodtchenko, Várvara Stiepánova e Anton Lavinski, os cineastas Dziga Viertov e Serguei Eisenstein, e escritores e críticos tais como Serguei Tretiakov, Nikolai Aseiev, Victor Chklovski e Semeon Kirsanov. Boris Pasternak também participou do movimento no princípio da fundação da revista.

Entre 1927-1928, foi a mesma revivida como “Novi-Lef”, partilhando a edição nesta segunda fase com Tretiakov.

A revista despontou como um forúm de debates em torno de estéticas vanguardistas, concentrando-se particularmente na questão da responsabilidade do artista para com a sociedade e seu papel nesta.
 A década de 20 da nova sociedade soviética presenciou uma enorme expansão no número de teatros, tanto os de vanguarda como os tradicionais.

A excentricidade foi o desenvolvimento lógico do pensamento ilógico dos futuristas. Os artistas introduziam elementos absurdos ou quebras na lógica em seus trabalhos com o objetivo de reestruturar e reorientar a realidade. Utilizaram truques de circo e elementos do music-hall para suas sátiras sociais e políticas, além de princípios derivados do vaudeville.
Artistas gráficos e tipógrafos passaram a desenvolver um estilo de comunicação que deveria ser arrombado, fácil de ler e moderno. Em sua luta contra a especulação à época da NEP, Maiakovski e Rodtchenko trabalharam juntos em cartazes de advertência para lojas e produtos do Estado. 
Quando Lenin morreu, em 1924, não havia um sucessor óbvio; durante os anos que se seguiram, porém, o Secretário do Partido, Josef Stálin, através de manobras políticas, obteve o controle do poder.

A revolução na cultura acompanhou a económica. Formaram-se verdadeiras cruzadas para transformar cada área da sociedade: a sátira era “anti-soviética”; os intelectuais eram “inimigos de classe”, e seus ensaios “ininteligíveis para as massas”. O primeiro ataque mais violento foi levado a cabo pelos membros do RAPP (Associação Russa dos Escritores Proletários) contra Maiakovski, que o repudiou em tom amargo numa das secções da Associação, justificando seus 20 anos de trabalho criativo com recortes de jornais sobre seus poemas, além de notas e cartas de trabalhadores que apreciavam a sua obra.

Contribuiu para exaltar os valores da nova ordem política com uma obra poética em que usava, cada vez mais, recursos modernos como a sintaxe fonética e visual (em que as palavras se relacionam mais por suas equivalências sonoras e por sua localização gráfica na página do que por seus valores gramaticais), as rimas encadeadas ou a repetição de consoantes fortes com intenção percussiva. Entre os exemplos da poesia engajada que produziu nesse período estão os poemas “150.000.000” (1920), que tem como tema o confronto entre o mundo novo e o velho, e “Oktiabr” (1927, “Outubro”), em comemoração ao décimo aniversário da revolução.
O poeta escreveu ainda mais peças teatrais, sempre ligadas a sua produção lírica, como Klop (1929; O percevejo) e Bania (1930; Os banhos), também dirigida por Meyerhold, e roteiros para cinema.

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